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Tahiti! é uma ‘double bill’ da ópera Trouble in Tahiti (1952) de Leonard Bernstein e de Pacific Pleasures (2016-17) de Alannah Marie Halay com libreto de Jorge Balça. Pacific Pleasures terá a sua estreia nacional com esta produção. Num subúrbio residencial como tantos outros, Tahiti! conta a história de um jovem casal, Sam e Dinah, que descobrem que tudo o que sempre quiseram, não os fez felizes. Têm ainda de encontrar o seu Tahiti. Esta produção recorre a uma variedade de estratégias e ferramentas dramáticas, como teatro físico e teatro de marionetas que, em colaboração com o MAC/CCB, são inspiradas na obra de Paula Rego. Tahiti! imagina uma vida para as duas personagens principais antes da ópera de Bernstein, que começa com uma discussão. Como é que Sam e Dinah se tornaram tão infelizes? E até que ponto as suas vidas já estavam mapeadas antes de eles as começarem a viver? E quanto domínio é que eles realmente têm sobre as suas vidas?   Com este projecto pretende-se levar Tahiti! a territórios, públicos, teatros e auditórios do Algarve onde geralmente o espetáculo operático encenado, não costuma circular. Este é um espectáculo para todos!      Programa   ALANNAH MARIE HALAY (1990) Pacific Pleasures   LEONARD BERNSTEIN (1918-1990) Trouble in Tahiti   Língua: Inglês (com legendagem em português) Duração: 40 minutos + 40 minutos (com 15 minutos de intervalo) Classificação etária: M |16     Ficha Técnica e Artística   Encenação e Cenografia Jorge Balça Direção Musical Pablo Urbina Produção Executiva e Gestão Financeira Sara Lamares / Fadas e Elfos – Associação Cultural Desenho de Luz Wilma Moutinho Operação de Luz (Cineteatro Louletano e Pequeno Auditório Centro Cultural de Belém) Tiago Coelho Figurinos, Adereços e Caracterização Nuno Esteves (Blue) Design e Construção de Marionetas Natacha Costa Pereira / S.A.Marionetas Coordenação de Manipulação de Marionetas José Manuel Valbom Gil, Natacha Costa Pereira, Sofia Olivença Vinagre / S.A. Marionetas Direção de Cena Ana Paula Meneses Correpetição Bernardo Marques Assessoria de Imprensa Ana Abrantes e Sara Battesti Registo de Vídeo Bruno Canas Registo Fotográfico Bruno Simão Tradução e Legendagem Jorge Balça   Elenco: Mezzo-soprano Inês Constantino Barítono Ricardo Panela Barítono Rui Baeta Tenor Leonel Pinheiro Soprano Sofia Marafona Marionetistas Ana Rebelo e Luís Godinho (S.A. Marionetas)   Orquestra: Violinos: Laurentiu Simões, Helena Duarte Viola: Ângela Silva Violoncelo: Mikhail Shumov Contrabaixo: Bruno Carneiro Oboé: Luís Figueiredo Fagote: Catarina Avelãs Flauta: Stefania Bernardi Clarinete: Pedro Nuno Trompete: Jorge Pereira Trompa: André Gomes Percussão: José Ramalho Piano: Bernardo Marques Trombone: André Conde   Coprodução: Fadas e Elfos – Associação Cultural e Orquestra do Algarve     Apoios: Câmara Municipal de Lagoa Câmara Municipal de Loulé Centro Cultural de Belém Câmara Municipal de Lagos Égide - Associação Portuguesa das Artes Junta de Freguesia da Misericórdia      Apoio Institucional: Plano Nacional das Artes Universidade do Algarve     Este projeto é apoiado pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto I DGARTES – Direção-Geral das Artes       Bilhetes > www.bol.pt 15€ (Plateia) | 12€ (Laterais) +Info: (+351) 21 361 26 27   Fadas e Elfos - Associação Cultural e Orquestra do Algarve, Co-Produção
Tahiti!
Tahiti!
17.04sex
20:00Lisboa
Inspirado na Pavana para uma Infanta Defunta, de Maurice Ravel, o espectáculo constrói um cortejo coreográfico onde lentidão e intensidade coexistem. A partir da ideia de pavana — dança processional de carácter melancólico — emerge uma reflexão física sobre o adiamento do fim da juventude e sobre aquilo que permanece por viver. Entre contenção e libertação, os corpos atravessam um tempo dilatado que parece esconder uma urgência contínua. O movimento oscila entre resistência e fuga, convocando imagens de cavalarias em trânsito e de forças selvagens em busca de libertação. Neste percurso sem pausa, o espectáculo interroga a duração, a memória e a possibilidade de sair de si próprio, propondo a possibilidade de liberdade para correr em círculo infinitamente.     FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA Direção Artística, Coreografia e Concepção Plástica - Daniel Matos Cocriação e Interpretação - Lia Vohlgemuth, Joana Simões, Claudio Murabito, Margarida Paiva, Florencia Martina e Nuno Velosa Colaboração Artística, Fotografia e Vídeo - João Catarino Consultoria Artística - Beatriz Marques Dias Música Original (A partir de Pavane pour une Infante Défunte, de Maurice Ravel) - Joana Guerra Interpretação Musical ao vivo - Joana Guerra e Orquestra do Algarve Maestro - Pablo Urbina Orquestradores e Arranjadores - Alunos da Universidade de Aveiro Figurantes Crianças - Alunos da CAMADA Centro Coreográfico Cenografia - João Catarino, Joana Duarte e Daniel Matos Desenho de Luz e Direção Técnica - Ana Carocinho Figurinos - Marina Tabuado Direção de Produção - Joana Flor Duarte Coordenação de Produção - Diana Martins Comunicação e Assessoria de Imprensa - this is ground control Coprodução - Teatro das Figuras, Centro Cultural Vila Flor, Cine-Teatro de Torres Vedras, Teatro Municipal da Covilhã e Município de Lagos Residências de Coprodução - O Espaço do Tempo e Teatro José Lúcio da Silva Apoio à Residência - GrandStudio Brussels – Materiais Diversos, Trois C-L (Luxemburgo), Estúdios Victor Cordon, Cine-Teatro Louletano, CAPA Devir, O Rumo do Fumo, Fórum Dança, Teatro José Lúcio da Silva e CAMADA Centro Coreográfico Apoios - Teatro Experimental de Lagos, LAC – Laboratório de Atividades Criativas, casaBranca associação cultural, CAMADA Centro Coreográfico, Universidade de Aveiro, JoPAuto SA, ESTUFA Plataforma Cultural Produção - CAMA a.c.   Este projeto é financiado pela DGArtes - Ministério da Cultura, Desporto e Juventude / República Portuguesa.   Aviso: Este espetáculo contém nudez integral.   Bilhetes: 12€ > www.bol.pt +Info: 289 870 074   🎻Com um simples gesto, apoie a música e cultura no Algarve! Use o NIF 506034585 (Associação Musical do Algarve) na sua consignação de IRS e faça a diferença 🎶💛  
Dança || A Luminosa Violência da Perfeição
Dança || A Luminosa Violência da Perfeição
18.04sáb
21:30Faro
Celebração 25 Abril
Para assinalar o 25 de Abril, a Orquestra do Algarve apresenta as novas memórias da revolução: um concerto sinfónico que percorre a luta, o despertar e o triunfo da liberdade, cruzando repertório clássico e criação contemporânea, num diálogo vivo entre palco e público. A noite abre com a estreia mundial de emergimos da noite e do silêncio, da compositora Sara Carvalho — uma obra que convoca a energia coletiva da revolução, integrando a participação direta do público como elemento sonoro e emocional da narrativa.  Segue-se um momento de homenagem a um dos grandes nomes da música e da palavra em Portugal, Sérgio Godinho, através de um tributo sinfónico que celebra a sua voz incontornável na canção de intervenção e na construção da memória democrática.  Mais do que um espetáculo, este concerto é um espaço de partilha: um encontro que comemora o passado, celebra o presente e projeta o futuro com coragem, criação e esperança.      Programa   TRIBUTO A SÉRGIO GODINHO (n.1945) Orquestrações de Xavier Ribeiro Bomba-relógio  Espalhem a notícia  Caramba  Às vezes o amor Lisboa que amanhece  Grão da mesma mó  Etelvina  Que força é essa  Com brilhozinho nos olhos  Cuidado com as imitações   Liberdade  1°Dia  É terça-feira   O Elixir da eterna juventude  Maré Alta      Canto Nono, Ensemble Vocal Tiago Nacarato, Cantor Pablo Urbina, Maestro Titular Coro Comunitário da A.M.A Orquestra do Algarve   Brevemente à venda em www.bol.pt +Info: 282 470 700   Município de Portimão, Organização  🎻Com um simples gesto, apoie a música e cultura no Algarve! Use o NIF 506034585 (Associação Musical do Algarve) na sua consignação de IRS e faça a diferença 🎶💛
Celebração 25 Abril || As novas memórias da revolução
Celebração 25 Abril || As novas memórias da revolução
24.04sex
21:00Portimão
Celebração 25 Abril
Para assinalar o 25 de Abril, a Orquestra do Algarve apresenta as novas memórias da revolução: um concerto sinfónico que percorre a luta, o despertar e o triunfo da liberdade, cruzando repertório clássico e criação contemporânea, num diálogo vivo entre palco e público. A noite abre com a estreia mundial de emergimos da noite e do silêncio, da compositora Sara Carvalho — uma obra que convoca a energia coletiva da revolução, integrando a participação direta do público como elemento sonoro e emocional da narrativa.  Segue-se um momento de homenagem a um dos grandes nomes da música e da palavra em Portugal, Sérgio Godinho, através de um tributo sinfónico que celebra a sua voz incontornável na canção de intervenção e na construção da memória democrática.  Mais do que um espetáculo, este concerto é um espaço de partilha: um encontro que comemora o passado, celebra o presente e projeta o futuro com coragem, criação e esperança.      Programa   SARA CARVALHO (n.1970) emergimos da noite e do silêncio com participação de público   TRIBUTO A SÉRGIO GODINHO (n.1945) Orquestrações de Xavier Ribeiro Bomba-relógio  Espalhem a notícia  Caramba  Às vezes o amor Lisboa que amanhece  Grão da mesma mó  Etelvina  Que força é essa  Com brilhozinho nos olhos  Cuidado com as imitações   Liberdade  1°Dia  É terça-feira   O Elixir da eterna juventude  Maré Alta      Canto Nono, Ensemble Vocal Tiago Nacarato, Cantor Pablo Urbina, Maestro Titular Coro Comunitário da A.M.A Orquestra do Algarve   Entrada Livre mediante levantamento de ingresso na bilheteira física do Teatro das Figuras.   Horário da Bilheteira: De terça a sábado das 13h00 às 19h30, exceto em dias feriados. Nos dias de espetáculo, até ao seu início. +Info: 289 870 074   Assembleia Municipal de Faro, Organização  Teatro das Figuras, Apoio 🎻Com um simples gesto, apoie a música e cultura no Algarve! Use o NIF 506034585 (Associação Musical do Algarve) na sua consignação de IRS e faça a diferença 🎶💛
Celebração 25 Abril || As novas memórias da revolução
Celebração 25 Abril || As novas memórias da revolução
25.04sáb
18:30Faro
Tahiti! é uma ‘double bill’ da ópera Trouble in Tahiti (1952) de Leonard Bernstein e de Pacific Pleasures (2016-17) de Alannah Marie Halay com libreto de Jorge Balça. Pacific Pleasures terá a sua estreia nacional com esta produção. Num subúrbio residencial como tantos outros, Tahiti! conta a história de um jovem casal, Sam e Dinah, que descobrem que tudo o que sempre quiseram, não os fez felizes. Têm ainda de encontrar o seu Tahiti. Esta produção recorre a uma variedade de estratégias e ferramentas dramáticas, como teatro físico e teatro de marionetas que, em colaboração com o MAC/CCB, são inspiradas na obra de Paula Rego. Tahiti! imagina uma vida para as duas personagens principais antes da ópera de Bernstein, que começa com uma discussão. Como é que Sam e Dinah se tornaram tão infelizes? E até que ponto as suas vidas já estavam mapeadas antes de eles as começarem a viver? E quanto domínio é que eles realmente têm sobre as suas vidas?   Com este projecto pretende-se levar Tahiti! a territórios, públicos, teatros e auditórios do Algarve onde geralmente o espetáculo operático encenado, não costuma circular. Este é um espectáculo para todos!      Programa   ALANNAH MARIE HALAY (1990) Pacific Pleasures   LEONARD BERNSTEIN (1918-1990) Trouble in Tahiti   Língua: Inglês (com legendagem em português) Duração: 40 minutos + 40 minutos (com 15 minutos de intervalo) Classificação etária: M |16     Ficha Técnica e Artística   Encenação e Cenografia Jorge Balça Direção Musical Pablo Urbina Produção Executiva e Gestão Financeira Sara Lamares / Fadas e Elfos – Associação Cultural Desenho de Luz Wilma Moutinho Operação de Luz (Cineteatro Louletano e Pequeno Auditório Centro Cultural de Belém) Tiago Coelho Figurinos, Adereços e Caracterização Nuno Esteves (Blue) Design e Construção de Marionetas Natacha Costa Pereira / S.A.Marionetas Coordenação de Manipulação de Marionetas José Manuel Valbom Gil, Natacha Costa Pereira, Sofia Olivença Vinagre / S.A. Marionetas Direção de Cena Ana Paula Meneses Correpetição Bernardo Marques Assessoria de Imprensa Ana Abrantes e Sara Battesti Registo de Vídeo Bruno Canas Registo Fotográfico Bruno Simão Tradução e Legendagem Jorge Balça   Elenco: Mezzo-soprano Inês Constantino Barítono Ricardo Panela Barítono Rui Baeta Tenor Leonel Pinheiro Soprano Sofia Marafona Marionetistas Ana Rebelo e Luís Godinho (S.A. Marionetas)   Orquestra: Violinos: Laurentiu Simões, Helena Duarte Viola: Ângela Silva Violoncelo: Mikhail Shumov Contrabaixo: Bruno Carneiro Oboé: Luís Figueiredo Fagote: Catarina Avelãs Flauta: Stefania Bernardi Clarinete: Pedro Nuno Trompete: Jorge Pereira Trompa: André Gomes Percussão: José Ramalho Piano: Bernardo Marques Trombone: André Conde   Coprodução: Fadas e Elfos – Associação Cultural e Orquestra do Algarve     Apoios: Câmara Municipal de Lagoa Câmara Municipal de Loulé Centro Cultural de Belém Câmara Municipal de Lagos Égide - Associação Portuguesa das Artes Junta de Freguesia da Misericórdia      Apoio Institucional: Plano Nacional das Artes Universidade do Algarve     Este projeto é apoiado pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto I DGARTES – Direção-Geral das Artes       Bilhetes > brevemente à venda em www.bol.pt       Fadas e Elfos - Associação Cultural e Orquestra do Algarve, Co-Produção
Tahiti!
Tahiti!
09.10sex
19:00Lagos
Tahiti! é uma ‘double bill’ da ópera Trouble in Tahiti (1952) de Leonard Bernstein e de Pacific Pleasures (2016-17) de Alannah Marie Halay com libreto de Jorge Balça. Pacific Pleasures terá a sua estreia nacional com esta produção. Num subúrbio residencial como tantos outros, Tahiti! conta a história de um jovem casal, Sam e Dinah, que descobrem que tudo o que sempre quiseram, não os fez felizes. Têm ainda de encontrar o seu Tahiti. Esta produção recorre a uma variedade de estratégias e ferramentas dramáticas, como teatro físico e teatro de marionetas que, em colaboração com o MAC/CCB, são inspiradas na obra de Paula Rego. Tahiti! imagina uma vida para as duas personagens principais antes da ópera de Bernstein, que começa com uma discussão. Como é que Sam e Dinah se tornaram tão infelizes? E até que ponto as suas vidas já estavam mapeadas antes de eles as começarem a viver? E quanto domínio é que eles realmente têm sobre as suas vidas?   Com este projecto pretende-se levar Tahiti! a territórios, públicos, teatros e auditórios do Algarve onde geralmente o espetáculo operático encenado, não costuma circular. Este é um espectáculo para todos!      Programa   ALANNAH MARIE HALAY (1990) Pacific Pleasures   LEONARD BERNSTEIN (1918-1990) Trouble in Tahiti   Língua: Inglês (com legendagem em português) Duração: 40 minutos + 40 minutos (com 15 minutos de intervalo) Classificação etária: M |16     Ficha Técnica e Artística   Encenação e Cenografia Jorge Balça Direção Musical Pablo Urbina Produção Executiva e Gestão Financeira Sara Lamares / Fadas e Elfos – Associação Cultural Desenho de Luz Wilma Moutinho Operação de Luz (Cineteatro Louletano e Pequeno Auditório Centro Cultural de Belém) Tiago Coelho Figurinos, Adereços e Caracterização Nuno Esteves (Blue) Design e Construção de Marionetas Natacha Costa Pereira / S.A.Marionetas Coordenação de Manipulação de Marionetas José Manuel Valbom Gil, Natacha Costa Pereira, Sofia Olivença Vinagre / S.A. Marionetas Direção de Cena Ana Paula Meneses Correpetição Bernardo Marques Assessoria de Imprensa Ana Abrantes e Sara Battesti Registo de Vídeo Bruno Canas Registo Fotográfico Bruno Simão Tradução e Legendagem Jorge Balça   Elenco: Mezzo-soprano Inês Constantino Barítono Ricardo Panela Barítono Rui Baeta Tenor Leonel Pinheiro Soprano Sofia Marafona Marionetistas Ana Rebelo e Luís Godinho (S.A. Marionetas)   Orquestra: Violinos: Laurentiu Simões, Helena Duarte Viola: Ângela Silva Violoncelo: Mikhail Shumov Contrabaixo: Bruno Carneiro Oboé: Luís Figueiredo Fagote: Catarina Avelãs Flauta: Stefania Bernardi Clarinete: Pedro Nuno Trompete: Jorge Pereira Trompa: André Gomes Percussão: José Ramalho Piano: Bernardo Marques Trombone: André Conde   Coprodução: Fadas e Elfos – Associação Cultural e Orquestra do Algarve     Apoios: Câmara Municipal de Lagoa Câmara Municipal de Loulé Centro Cultural de Belém Câmara Municipal de Lagos Égide - Associação Portuguesa das Artes Junta de Freguesia da Misericórdia      Apoio Institucional: Plano Nacional das Artes Universidade do Algarve     Este projeto é apoiado pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto I DGARTES – Direção-Geral das Artes       Bilhetes > www.bol.pt 15€ (Plateia) | 12€ (Laterais) +Info: (+351) 21 361 26 27   Fadas e Elfos - Associação Cultural e Orquestra do Algarve, Co-Produção
Tahiti!
Tahiti!
17.04sex
20:00Lisboa
Inspirado na Pavana para uma Infanta Defunta, de Maurice Ravel, o espectáculo constrói um cortejo coreográfico onde lentidão e intensidade coexistem. A partir da ideia de pavana — dança processional de carácter melancólico — emerge uma reflexão física sobre o adiamento do fim da juventude e sobre aquilo que permanece por viver. Entre contenção e libertação, os corpos atravessam um tempo dilatado que parece esconder uma urgência contínua. O movimento oscila entre resistência e fuga, convocando imagens de cavalarias em trânsito e de forças selvagens em busca de libertação. Neste percurso sem pausa, o espectáculo interroga a duração, a memória e a possibilidade de sair de si próprio, propondo a possibilidade de liberdade para correr em círculo infinitamente.     FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA Direção Artística, Coreografia e Concepção Plástica - Daniel Matos Cocriação e Interpretação - Lia Vohlgemuth, Joana Simões, Claudio Murabito, Margarida Paiva, Florencia Martina e Nuno Velosa Colaboração Artística, Fotografia e Vídeo - João Catarino Consultoria Artística - Beatriz Marques Dias Música Original (A partir de Pavane pour une Infante Défunte, de Maurice Ravel) - Joana Guerra Interpretação Musical ao vivo - Joana Guerra e Orquestra do Algarve Maestro - Pablo Urbina Orquestradores e Arranjadores - Alunos da Universidade de Aveiro Figurantes Crianças - Alunos da CAMADA Centro Coreográfico Cenografia - João Catarino, Joana Duarte e Daniel Matos Desenho de Luz e Direção Técnica - Ana Carocinho Figurinos - Marina Tabuado Direção de Produção - Joana Flor Duarte Coordenação de Produção - Diana Martins Comunicação e Assessoria de Imprensa - this is ground control Coprodução - Teatro das Figuras, Centro Cultural Vila Flor, Cine-Teatro de Torres Vedras, Teatro Municipal da Covilhã e Município de Lagos Residências de Coprodução - O Espaço do Tempo e Teatro José Lúcio da Silva Apoio à Residência - GrandStudio Brussels – Materiais Diversos, Trois C-L (Luxemburgo), Estúdios Victor Cordon, Cine-Teatro Louletano, CAPA Devir, O Rumo do Fumo, Fórum Dança, Teatro José Lúcio da Silva e CAMADA Centro Coreográfico Apoios - Teatro Experimental de Lagos, LAC – Laboratório de Atividades Criativas, casaBranca associação cultural, CAMADA Centro Coreográfico, Universidade de Aveiro, JoPAuto SA, ESTUFA Plataforma Cultural Produção - CAMA a.c.   Este projeto é financiado pela DGArtes - Ministério da Cultura, Desporto e Juventude / República Portuguesa.   Aviso: Este espetáculo contém nudez integral.   Bilhetes: 12€ > www.bol.pt +Info: 289 870 074   🎻Com um simples gesto, apoie a música e cultura no Algarve! Use o NIF 506034585 (Associação Musical do Algarve) na sua consignação de IRS e faça a diferença 🎶💛  
Dança || A Luminosa Violência da Perfeição
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18.04sáb
21:30Faro
Celebração 25 Abril
Para assinalar o 25 de Abril, a Orquestra do Algarve apresenta as novas memórias da revolução: um concerto sinfónico que percorre a luta, o despertar e o triunfo da liberdade, cruzando repertório clássico e criação contemporânea, num diálogo vivo entre palco e público. A noite abre com a estreia mundial de emergimos da noite e do silêncio, da compositora Sara Carvalho — uma obra que convoca a energia coletiva da revolução, integrando a participação direta do público como elemento sonoro e emocional da narrativa.  Segue-se um momento de homenagem a um dos grandes nomes da música e da palavra em Portugal, Sérgio Godinho, através de um tributo sinfónico que celebra a sua voz incontornável na canção de intervenção e na construção da memória democrática.  Mais do que um espetáculo, este concerto é um espaço de partilha: um encontro que comemora o passado, celebra o presente e projeta o futuro com coragem, criação e esperança.      Programa   TRIBUTO A SÉRGIO GODINHO (n.1945) Orquestrações de Xavier Ribeiro Bomba-relógio  Espalhem a notícia  Caramba  Às vezes o amor Lisboa que amanhece  Grão da mesma mó  Etelvina  Que força é essa  Com brilhozinho nos olhos  Cuidado com as imitações   Liberdade  1°Dia  É terça-feira   O Elixir da eterna juventude  Maré Alta      Canto Nono, Ensemble Vocal Tiago Nacarato, Cantor Pablo Urbina, Maestro Titular Coro Comunitário da A.M.A Orquestra do Algarve   Brevemente à venda em www.bol.pt +Info: 282 470 700   Município de Portimão, Organização  🎻Com um simples gesto, apoie a música e cultura no Algarve! Use o NIF 506034585 (Associação Musical do Algarve) na sua consignação de IRS e faça a diferença 🎶💛
Celebração 25 Abril || As novas memórias da revolução
Celebração 25 Abril || As novas memórias da revolução
24.04sex
21:00Portimão
Celebração 25 Abril
Para assinalar o 25 de Abril, a Orquestra do Algarve apresenta as novas memórias da revolução: um concerto sinfónico que percorre a luta, o despertar e o triunfo da liberdade, cruzando repertório clássico e criação contemporânea, num diálogo vivo entre palco e público. A noite abre com a estreia mundial de emergimos da noite e do silêncio, da compositora Sara Carvalho — uma obra que convoca a energia coletiva da revolução, integrando a participação direta do público como elemento sonoro e emocional da narrativa.  Segue-se um momento de homenagem a um dos grandes nomes da música e da palavra em Portugal, Sérgio Godinho, através de um tributo sinfónico que celebra a sua voz incontornável na canção de intervenção e na construção da memória democrática.  Mais do que um espetáculo, este concerto é um espaço de partilha: um encontro que comemora o passado, celebra o presente e projeta o futuro com coragem, criação e esperança.      Programa   SARA CARVALHO (n.1970) emergimos da noite e do silêncio com participação de público   TRIBUTO A SÉRGIO GODINHO (n.1945) Orquestrações de Xavier Ribeiro Bomba-relógio  Espalhem a notícia  Caramba  Às vezes o amor Lisboa que amanhece  Grão da mesma mó  Etelvina  Que força é essa  Com brilhozinho nos olhos  Cuidado com as imitações   Liberdade  1°Dia  É terça-feira   O Elixir da eterna juventude  Maré Alta      Canto Nono, Ensemble Vocal Tiago Nacarato, Cantor Pablo Urbina, Maestro Titular Coro Comunitário da A.M.A Orquestra do Algarve   Entrada Livre mediante levantamento de ingresso na bilheteira física do Teatro das Figuras.   Horário da Bilheteira: De terça a sábado das 13h00 às 19h30, exceto em dias feriados. Nos dias de espetáculo, até ao seu início. +Info: 289 870 074   Assembleia Municipal de Faro, Organização  Teatro das Figuras, Apoio 🎻Com um simples gesto, apoie a música e cultura no Algarve! Use o NIF 506034585 (Associação Musical do Algarve) na sua consignação de IRS e faça a diferença 🎶💛
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25.04sáb
18:30Faro
Tahiti! é uma ‘double bill’ da ópera Trouble in Tahiti (1952) de Leonard Bernstein e de Pacific Pleasures (2016-17) de Alannah Marie Halay com libreto de Jorge Balça. Pacific Pleasures terá a sua estreia nacional com esta produção. Num subúrbio residencial como tantos outros, Tahiti! conta a história de um jovem casal, Sam e Dinah, que descobrem que tudo o que sempre quiseram, não os fez felizes. Têm ainda de encontrar o seu Tahiti. Esta produção recorre a uma variedade de estratégias e ferramentas dramáticas, como teatro físico e teatro de marionetas que, em colaboração com o MAC/CCB, são inspiradas na obra de Paula Rego. Tahiti! imagina uma vida para as duas personagens principais antes da ópera de Bernstein, que começa com uma discussão. Como é que Sam e Dinah se tornaram tão infelizes? E até que ponto as suas vidas já estavam mapeadas antes de eles as começarem a viver? E quanto domínio é que eles realmente têm sobre as suas vidas?   Com este projecto pretende-se levar Tahiti! a territórios, públicos, teatros e auditórios do Algarve onde geralmente o espetáculo operático encenado, não costuma circular. Este é um espectáculo para todos!      Programa   ALANNAH MARIE HALAY (1990) Pacific Pleasures   LEONARD BERNSTEIN (1918-1990) Trouble in Tahiti   Língua: Inglês (com legendagem em português) Duração: 40 minutos + 40 minutos (com 15 minutos de intervalo) Classificação etária: M |16     Ficha Técnica e Artística   Encenação e Cenografia Jorge Balça Direção Musical Pablo Urbina Produção Executiva e Gestão Financeira Sara Lamares / Fadas e Elfos – Associação Cultural Desenho de Luz Wilma Moutinho Operação de Luz (Cineteatro Louletano e Pequeno Auditório Centro Cultural de Belém) Tiago Coelho Figurinos, Adereços e Caracterização Nuno Esteves (Blue) Design e Construção de Marionetas Natacha Costa Pereira / S.A.Marionetas Coordenação de Manipulação de Marionetas José Manuel Valbom Gil, Natacha Costa Pereira, Sofia Olivença Vinagre / S.A. Marionetas Direção de Cena Ana Paula Meneses Correpetição Bernardo Marques Assessoria de Imprensa Ana Abrantes e Sara Battesti Registo de Vídeo Bruno Canas Registo Fotográfico Bruno Simão Tradução e Legendagem Jorge Balça   Elenco: Mezzo-soprano Inês Constantino Barítono Ricardo Panela Barítono Rui Baeta Tenor Leonel Pinheiro Soprano Sofia Marafona Marionetistas Ana Rebelo e Luís Godinho (S.A. Marionetas)   Orquestra: Violinos: Laurentiu Simões, Helena Duarte Viola: Ângela Silva Violoncelo: Mikhail Shumov Contrabaixo: Bruno Carneiro Oboé: Luís Figueiredo Fagote: Catarina Avelãs Flauta: Stefania Bernardi Clarinete: Pedro Nuno Trompete: Jorge Pereira Trompa: André Gomes Percussão: José Ramalho Piano: Bernardo Marques Trombone: André Conde   Coprodução: Fadas e Elfos – Associação Cultural e Orquestra do Algarve     Apoios: Câmara Municipal de Lagoa Câmara Municipal de Loulé Centro Cultural de Belém Câmara Municipal de Lagos Égide - Associação Portuguesa das Artes Junta de Freguesia da Misericórdia      Apoio Institucional: Plano Nacional das Artes Universidade do Algarve     Este projeto é apoiado pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto I DGARTES – Direção-Geral das Artes       Bilhetes > brevemente à venda em www.bol.pt       Fadas e Elfos - Associação Cultural e Orquestra do Algarve, Co-Produção
Tahiti!
Tahiti!
09.10sex
19:00Lagos
Uma Orquestra.
Dois Maestros.
Uma Missão.

"À medida que a Orquestra do Algarve embarca nesta nova jornada, estamos a colocar ainda mais foco em vocês, nas pessoas do Algarve, e nesta região maravilhosa. A orquestra deve ser uma peça central da nossa sociedade e, através da música, provocar mudanças e criar um ambiente positivo. Queremos que todas as pessoas encontrem nesta região algo de que se possam orgulhar, cuidar e apoiar."

Seja amigo da Orquestra do Algarve!

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Já se imaginou a envolver-se profundamente com a beleza intemporal da música clássica? Alguma vez pensou poder ser a força que impulsiona a Orquestra do Algarve a alcançar objetivos ainda maiores? Agora, esta é a sua hipótese de fazer parte de algo verdadeiramente único e extraordinário.

Juntos podemos fazer a diferença!

Formação
Formação
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Pedagogia.
Comunidade.

O programa Laboratório Artístico da Orquestra do Algarve promove o desenvolvimento e visibilidade de músicos talentosos, oferecendo mentoria, seleção e oportunidades de atuação conjunta nos concertos da Orquestra.

Nota de pesar | Álvaro Cassuto
07.04.2026
Nota de pesar | Álvaro Cassuto
Maestro Fundador da Orquestra do Algarve
A Orquestra do Algarve lamenta profundamente o falecimento do seu fundador e primeiro diretor artístico, o Maestro Álvaro Cassuto (1938-2026). A sua visão, paixão e dedicação deram origem à nossa orquestra em 2002 e marcaram de forma indelével a vida musical do Algarve e de Portugal.   Expressamos os nossos mais sentidos pêsames à família, amigos e a todos quantos tiveram o privilégio de trabalhar e conviver com o Maestro.   A sua memória e o seu legado continuarão presentes em cada concerto e em cada nota que tocarmos.
07.04.2026
Nota de pesar | Álvaro Cassuto
Maestro Fundador da Orquestra do Algarve
A Orquestra do Algarve lamenta profundamente o falecimento do seu fundador e primeiro diretor artístico, o Maestro Álvaro Cassuto (1938-2026). A sua visão, paixão e dedicação deram origem à nossa orquestra em 2002 e marcaram de forma indelével a vida musical do Algarve e de Portugal.   Expressamos os nossos mais sentidos pêsames à família, amigos e a todos quantos tiveram o privilégio de trabalhar e conviver com o Maestro.   A sua memória e o seu legado continuarão presentes em cada concerto e em cada nota que tocarmos.
Nota de pesar | Álvaro Cassuto
Uma saudação de Páscoa
01.04.2026
Uma saudação de Páscoa
A Páscoa convida à reflexão, à serenidade e à ideia de renovação — valores que encontram eco natural na música que apresentamos nesta ocasião. Mahler e Strauss oferecem-nos duas visões distintas, mas complementares, sobre o tempo, a transcendência e a beleza que permanece. Neste concerto, a Orquestra do Algarve celebra a Páscoa através da arte que melhor sabe oferecer: música que ilumina, que eleva e que nos recorda a capacidade humana de procurar sentido e harmonia mesmo nos momentos mais silenciosos. Desejamos a todos uma Páscoa tranquila, luminosa e inspiradora, e que este concerto possa ser um espaço de pausa, contemplação e beleza partilhada.   Convidamo-lo a juntar-se a nós nos concertos:   FARO 03 de abril 18h00 Teatro das Figuras 15€ > www.bol.pt   LAGOS 04 de abril 19h00 Centro Cultural 10€ > www.bol.pt   TAVIRA 05 de abril 16h00 Teatro Municipal António Pinheiro 15€ > www.bol.pt  
01.04.2026
Uma saudação de Páscoa
A Páscoa convida à reflexão, à serenidade e à ideia de renovação — valores que encontram eco natural na música que apresentamos nesta ocasião. Mahler e Strauss oferecem-nos duas visões distintas, mas complementares, sobre o tempo, a transcendência e a beleza que permanece. Neste concerto, a Orquestra do Algarve celebra a Páscoa através da arte que melhor sabe oferecer: música que ilumina, que eleva e que nos recorda a capacidade humana de procurar sentido e harmonia mesmo nos momentos mais silenciosos. Desejamos a todos uma Páscoa tranquila, luminosa e inspiradora, e que este concerto possa ser um espaço de pausa, contemplação e beleza partilhada.   Convidamo-lo a juntar-se a nós nos concertos:   FARO 03 de abril 18h00 Teatro das Figuras 15€ > www.bol.pt   LAGOS 04 de abril 19h00 Centro Cultural 10€ > www.bol.pt   TAVIRA 05 de abril 16h00 Teatro Municipal António Pinheiro 15€ > www.bol.pt  
Uma saudação de Páscoa
Rafaela Albuquerque no Concerto de Páscoa da Orquestra do Algarve
31.03.2026
Rafaela Albuquerque no Concerto de Páscoa da Orquestra do Algarve
Uma conversa sobre Mahler, Strauss, o ensino e a paixão pela voz, com Rui Baeta.
    No espírito da Páscoa, a Orquestra do Algarve apresenta um programa de rara beleza espiritual, onde a voz humana se torna ponte entre o terreno e o transcendente. A soprano Rafaela Albuquerque junta-se à orquestra para interpretar duas obras maiores do repertório sinfónico-vocal: o último andamento da Sinfonia n.º 4 de Mahler e as Quatro Últimas Canções de Richard Strauss. Conversámos com a solista sobre o significado deste programa, os desafios artísticos que encerra e a forma como vive esta música tão profundamente ligada à introspeção e à luz. O resultado é uma entrevista íntima, descontraída e cheia de sensibilidade, que revela não só a intérprete, mas também a pessoa por detrás da voz.   Rafaela, antes de falarmos deste programa tão especial, gostava de começar pelo princípio. Como é que o teu percurso te trouxe até aqui? O meu percurso é feito de altos e baixos, mas sobretudo de muita resiliência… talvez um dos ingredientes mais essenciais nesta carreira. Sempre caminhei com honestidade e um amor profundo pelo que faço. Comecei na Academia de Música de Santa Cecília, onde concluí o ensino secundário com o 8.º grau de violino e o ensino integrado em canto. Mais tarde, entrei na Escola Superior de Música de Lisboa, onde estive três anos. O grande ponto de viragem surgiu quando, numa masterclass, conheci aquela que viria a ser a minha professora durante mais de uma década: June Anderson. Iniciámos um trabalho técnico e musical extremamente intenso, que moldou profundamente a minha identidade artística. Cerca de quatro anos depois, entrei na Fabbrica, o Young Artist Program do Teatro dell’Opera di Roma. Foi essa ida para Roma que mudou a minha vida: deu-me palco, experiência e uma nova visão sobre o que significa ser artista.   Terá sido esse o momento decisivo que sentes ter moldado a artista que és hoje? Sem dúvida. A June Anderson e a Eleonora Pacetti continuam a ser pilares fundamentais no meu percurso. Transformaram completamente a minha perceção do que é cantar… não apenas a nível técnico, mas também musical e humano. Transmitiram-me uma ideia de responsabilidade absoluta: cada nota tem um significado, cada palavra deve existir com intenção. Ensinaram-me a não olhar para o percurso dos outros, mas a procurar ser melhor do que fui ontem. E, talvez o mais importante, ajudaram-me a compreender que a técnica não é um fim,  é apenas o meio que permite libertar a expressão artística. Quando percebi isso, tudo mudou. Cantar deixou de ser apenas execução e passou a ser verdade.   O que te inspira, hoje, quando sobes ao palco? Inspira-me profundamente a partilha. Trabalhar com diferentes maestros, encenadores e colegas permite-me redescobrir constantemente o repertório. A mesma obra nunca é igual… transforma-se com cada encontro. Mas aquilo que verdadeiramente me move é a possibilidade de tocar alguém. Saber que, através da minha voz, posso despertar emoções, memórias ou reflexões em quem está a ouvir… isso dá sentido a tudo. Se conseguir que alguém saia diferente do que entrou, então o meu dia está ganho.   A relação com o público, a música em si, a procura por algo mais interior… o que te move? Move-me essa entrega total. Quando subo ao palco, sinto-me completamente exposta,  vulnerável, verdadeira. Dou tudo o que tenho, sem filtros. Há algo de profundamente humano nesse gesto de partilha. Vivemos tempos tão acelerados, tão cheios de ruído… e poder oferecer um momento de emoção genuína, de conexão, de introspeção… isso é, para mim, uma dádiva. E ao mesmo tempo, é algo que me transforma também.   Este concerto tem uma carga emocional e espiritual muito própria. O que mais te toca neste programa? O que mais me toca é a forma como este programa nos convida a olhar para a finitude com uma luz diferente. É um tema que me é difícil, profundamente pessoal. Já perdi pessoas que amo e cuja ausência permanece. E, no entanto, as Quatro Últimas Canções de Strauss oferecem-nos uma visão quase reconciliada com o fim. Não como ruptura, mas como transfiguração. Há nelas uma serenidade luminosa, uma aceitação que não é resignação, mas entendimento. Como se a morte fosse apenas uma passagem para um estado de paz absoluta, onde tudo se dissolve na natureza, na memória, no eterno. É impossível não me deixar tocar por isso.  E, aproveito para dizer que, dedico estes concertos à minha bisavó: o amor da minha vida.   Mahler e Strauss, cada um à sua maneira, falam de finitude, transcendência, despedida… Como é que vives essa intensidade enquanto intérprete? Eu não consigo, nem quero, distanciar-me emocionalmente. Para mim, cantar é mergulhar. Se a música pede lágrimas, então eu choro. Somos humanos, e é dessa humanidade que nasce a verdade da interpretação. Claro que é um desafio enorme, porque estas obras mexem profundamente connosco. Mas acredito que é precisamente aí que acontece o crescimento artístico e pessoal. E é também aí que nasce a verdadeira conexão com o público.   A Sinfonia n.º 4 é uma obra muito especial, sobretudo no último andamento, onde a tua voz surge quase como uma revelação. Como abordas essa inocência, essa visão quase infantil do paraíso? O último andamento da Quarta de Mahler é de uma beleza enorme. Não é um paraíso grandioso ou distante… é um paraíso visto pelos olhos de uma criança. Simples, puro, quase ingénuo. Procuro abordar essa música com uma leveza muito consciente, despida de artifícios. Como se a voz fosse apenas um veículo para essa visão inocente do mundo onde não há medo, onde tudo é harmonia, onde a felicidade reside nas coisas mais simples. Mas há também uma subtileza muito profunda: por detrás dessa inocência, existe uma espécie de saudade. Como se esse paraíso fosse, ao mesmo tempo, um lugar ideal e uma memória distante daquilo que perdemos ao crescer.   Mahler trabalhou mais de dez anos nesta melodia. Sentes essa busca pela perfeição quando a interpretas? Sinto muito essa busca! Quase como se cada frase carregasse camadas de tempo, de memória, de transformação. É como se Mahler condensasse, naquele andamento, uma visão muito íntima da existência. Há uma sensação de síntese de algo que foi depurado ao longo de anos até atingir uma forma de simplicidade essencial. E essa simplicidade é, paradoxalmente, o mais difícil de alcançar.   E tecnicamente, qual o aspecto mais desafiante? No Mahler, o maior desafio está na articulação do texto em passagens rápidas, sem comprometer o legato… manter a fluidez musical enquanto se preserva a clareza da palavra. Nas Quatro Últimas Canções, o desafio é outro: as frases longuíssimas, que exigem um controlo absoluto do apoio e do suporte. É uma escrita que pede continuidade, suspensão… como se o tempo se dilatasse. E, claro, a carga emocional de cada nota, que nunca pode ser desligada da técnica.   As Quatro Últimas Canções são, para muitos, um testamento musical. O que sentes quando as cantas? Sinto, acima de tudo, uma enorme responsabilidade. É uma obra de uma profundidade impressionante… emocional, harmónica, espiritual. Há nelas uma sensação de despedida, mas sem desespero. É como um último olhar sobre o mundo, cheio de beleza, de gratidão e de aceitação. Cantar estas canções é entrar num espaço quase sagrado. Sou profundamente grata por poder interpretá-las e é, sem dúvida, um marco na minha carreira.   Há ali uma despedida, mas também uma serenidade luminosa. Como encontras o equilíbrio entre emoção e contenção? Procuro sempre aproximar-me da intenção de Strauss. Estudei muito a sua vida, o seu pensamento, a sua forma de sentir. Mais do que interpretar, tento tornar-me um veículo dessa voz. E isso exige um equilíbrio delicado… sentir profundamente, mas nunca perder a linha, nunca cair no excesso. A emoção está lá, mas é contida, filtrada por uma espécie de sabedoria tranquila.   E já agora, tens uma favorita dentro do ciclo? É muito difícil escolher, mas sinto-me especialmente próxima de September e Beim Schlafengehen. September tem uma melancolia suave, quase outonal… fala do fim com uma delicadeza que me comove muito.  Já Beim Schlafengehen tem algo de transcendental: aquela elevação final, quase como um desprendimento do corpo… é um momento de pura libertação.   A Páscoa tem um simbolismo muito próprio. O que representa para ti cantar nesta quadra? Cantar nesta quadra tem um significado muito especial para mim. A Páscoa fala-nos de renovação, de transformação, de passagem, da escuridão para a luz. E sinto que este programa dialoga profundamente com esse simbolismo. Há uma ideia de fim, mas também de recomeço. De aceitação, mas também de esperança. Para mim, é um momento de introspeção,  quase um convite a parar, a ouvir, a sentir. E poder viver isso através da música é algo profundamente significativo.   Há algo que gostasses que o público soubesse antes de ouvir estas obras? Talvez apenas isto: que se permitam sentir, sem reservas. Não é necessário compreender tudo racionalmente. Esta música fala diretamente à emoção, ao inconsciente. Cada pessoa vai encontrar nela algo diferente: e isso é o mais bonito.   E existe algum repertório que ainda não interpretaste e que continua na tua lista de sonhos? Este ano estou a concretizar muitos dos meus sonhos: as Quatro Últimas Canções, o Requiem de Verdi, a Amelia de Un ballo in maschera… são estes os próximos desafios!  Sinto-me profundamente grata.  E agradeço-vos do fundo do meu coração por estar aqui a partilhar um dos meus sonhos convosco! Não poderia ser mais especial!  Talvez, no futuro, gostasse de explorar a Tosca, mas tudo a seu tempo. Este é, sem dúvida, um ano muito especial para mim.   É a tua estreia com a Orquestra do Algarve. O que esperas desta colaboração? Apesar de ser a minha estreia, já conheço muitos músicos da Orquestra do Algarve, e isso deixa-me ainda mais feliz. Sei que vamos viver momentos muito especiais! São músicos de enorme qualidade, mas também pessoas extraordinárias. Há algo que valorizo muito, que é o que acontece para além do palco: o convívio, a partilha, as conversas depois dos concertos. É aí que muitas vezes nascem ideias, cumplicidades e até novas formas de olhar para a música. Tenho a certeza de que será uma experiência muito rica nesse sentido. Espero, sinceramente, que seja a primeira de muitas colaborações. É uma orquestra que admiro há muito tempo.   E com o maestro Pablo Urbina — o que esperas encontrar na forma como trabalham juntos este repertório tão sensível? Ainda não tive a oportunidade de trabalhar pessoalmente com o maestro Pablo Urbina, mas tenho as melhores referências! Tanto a nível musical como humano. Estou muito entusiasmada com esta colaboração, porque acredito muito neste espaço de partilha entre cantor e maestro. Gosto de construir em conjunto, de experimentar, de questionar, de procurar caminhos diferentes dentro da mesma obra. Tenho a sensação de que será um encontro muito especial e um momento importante no meu percurso.   O que gostarias que o público levasse consigo depois de ouvir este concerto? Gostava muito que levassem paz interior. Vivemos num mundo com tanta pressão, tanto ruído, tanta inquietação… e a música tem esse poder raro de nos recentrar, de nos fazer parar e respirar. Se alguém sair deste concerto mais tranquilo, mais ligado a si próprio, então tudo terá valido a pena.   Para além da tua carreira como intérprete, tens uma ligação muito forte ao ensino. O que te motiva a dedicar tanto do teu tempo à formação de jovens cantores? Motiva-me, acima de tudo, aquilo que vejo neles. Vejo talento, vejo vontade, mas também vejo muita incerteza. Existe uma lacuna muito grande entre o fim dos estudos e a entrada no mercado de trabalho. Não necessariamente por falta de oportunidades, mas pela enorme quantidade de talento que existe em Portugal. E sinto que os anos de formação, por si só, muitas vezes não são suficientes para sustentar os sonhos que estes jovens têm. A minha experiência com a June Anderson foi determinante: não foi apenas uma formação técnica, foi uma mudança de mentalidade, de exigência, de visão. E é isso que tento transmitir, não só através do meu trabalho direto com os alunos, mas também criando pontes com profissionais da área: diretores, agentes, encenadores, coaches.   O teu projeto OperaTools tem sido muito falado pela forma inovadora como aborda a técnica e a prática vocal. Como nasceu esta ideia e que necessidade sentiste que era importante responder? A OperaTools nasceu precisamente dessa necessidade: colmatar a distância entre a formação académica e a realidade profissional. Lá fora existem estruturas muito claras: academias, young artist programs, que ajudam os jovens cantores a fazer essa transição. Em Portugal, essa estrutura praticamente não existe. A OperaTools funciona, de certa forma, como esse espaço intermédio: oferece masterclasses com profissionais relevantes, cria oportunidades de palco, proporciona gravações, produção de óperas e recitais. É um projeto pensado para dar ferramentas reais e visibilidade.   O ensino do canto está a mudar rapidamente. Como é que o OperaTools se posiciona neste novo contexto? Posiciona-se muito inspirado naquilo que vi e vivi fora de Portugal, especialmente durante a minha experiência em Roma. Acredito que é fundamental abrir horizontes e criar redes… tornar mais acessível o contacto com o meio profissional, facilitar o encontro entre talento e oportunidade. Tive muita sorte no meu percurso, mas custa-me ver tantos jovens extremamente talentosos a desistirem ou a colocarem os seus sonhos em segundo plano por falta de oportunidades ou orientação. A OperaTools nasce também desse desejo de mudar esse cenário… de criar um caminho mais possível.   Houve algum episódio que te tenha marcado particularmente neste projeto? Há muitos momentos marcantes, mas talvez o mais emocionante tenha sido perceber que, muitas vezes, os outros acreditaram mais no projeto do que eu própria. Começou de forma muito simples, quase instintiva… ajudando uma pessoa, depois outra… e hoje são mais de 40 alunos, muitos deles já com um nível profissional muito elevado. Recentemente, recebemos um apoio significativo para os próximos quatro anos, que nos permitirá desenvolver produções de ópera e expandir o projeto. E ainda nem assimilei completamente… continuo a sentir a OperaTools como algo muito próximo, familiar. Mas esse reconhecimento, esse voto de confiança, foi profundamente marcante.   De que forma ensinar influencia a tua forma de cantar? Ensinar obriga-me a um estado constante de reflexão e estudo. Aprendo imenso com os meus alunos, com as suas dificuldades, as suas descobertas, as suas perguntas. Partilhar sensações… isso faz-me crescer enquanto cantora.   E como é que a tua experiência de palco fortalece a tua pedagogia? De forma muito direta. Quanto mais experiência tenho em palco, mais ferramentas tenho para transmitir. Não apenas a nível técnico, mas também a nível emocional, psicológico, artístico. Para mim, estas duas dimensões, cantar e ensinar, estão profundamente ligadas. Alimentam-se mutuamente. E sinto que só sou verdadeiramente feliz conseguindo viver ambas.   Obras com esta profundidade exigem muito mais do que domínio técnico. Como te preparas psicologicamente? Preciso de silêncio antes de um concerto. De estar comigo.  De criar um espaço interior onde me posso desligar do exterior e conectar verdadeiramente com aquilo que vou fazer. Gosto de me aproximar do compositor, de sentir que estou a dar voz a algo que foi pensado, sentido e construído com tanta dedicação. É uma responsabilidade enorme. E, por isso, preciso desse momento de recolhimento, quase como um mergulho consciente num universo emocional muito intenso.   Antes de terminar: se tivesses de resumir o teu amor pelo canto e por este repertório — de forma a convencer alguma, rara, alma mais céptica, a vir assistir a este concerto inesquecível — o que dirias?   O canto, para mim, não é apenas som ou técnica… é uma forma de dizer aquilo que não cabe nas palavras. É onde colocamos as nossas fragilidades, as nossas memórias, os nossos medos e também a nossa esperança. E este repertório, em particular, leva-nos exatamente a esse lugar: um espaço onde somos obrigados a parar, a ouvir e, talvez, a sentir de forma mais honesta. Se alguém vier a este concerto com cepticismo, não precisa de compreender nada… só precisa de estar disponível. Porque a música de Mahler e Strauss tem essa capacidade rara: entra devagar, quase em silêncio, e quando damos por nós, já nos transformou. No fundo, não se trata de gostar ou não gostar. Trata-se de permitir-se sentir. E isso, hoje em dia, já é quase um ato revolucionário.   Obrigado, Rafaela, e votos de excelentes concertos!!     Saiba mais sobre os concertos aqui.
31.03.2026
Rafaela Albuquerque no Concerto de Páscoa da Orquestra do Algarve
Uma conversa sobre Mahler, Strauss, o ensino e a paixão pela voz, com Rui Baeta.
    No espírito da Páscoa, a Orquestra do Algarve apresenta um programa de rara beleza espiritual, onde a voz humana se torna ponte entre o terreno e o transcendente. A soprano Rafaela Albuquerque junta-se à orquestra para interpretar duas obras maiores do repertório sinfónico-vocal: o último andamento da Sinfonia n.º 4 de Mahler e as Quatro Últimas Canções de Richard Strauss. Conversámos com a solista sobre o significado deste programa, os desafios artísticos que encerra e a forma como vive esta música tão profundamente ligada à introspeção e à luz. O resultado é uma entrevista íntima, descontraída e cheia de sensibilidade, que revela não só a intérprete, mas também a pessoa por detrás da voz.   Rafaela, antes de falarmos deste programa tão especial, gostava de começar pelo princípio. Como é que o teu percurso te trouxe até aqui? O meu percurso é feito de altos e baixos, mas sobretudo de muita resiliência… talvez um dos ingredientes mais essenciais nesta carreira. Sempre caminhei com honestidade e um amor profundo pelo que faço. Comecei na Academia de Música de Santa Cecília, onde concluí o ensino secundário com o 8.º grau de violino e o ensino integrado em canto. Mais tarde, entrei na Escola Superior de Música de Lisboa, onde estive três anos. O grande ponto de viragem surgiu quando, numa masterclass, conheci aquela que viria a ser a minha professora durante mais de uma década: June Anderson. Iniciámos um trabalho técnico e musical extremamente intenso, que moldou profundamente a minha identidade artística. Cerca de quatro anos depois, entrei na Fabbrica, o Young Artist Program do Teatro dell’Opera di Roma. Foi essa ida para Roma que mudou a minha vida: deu-me palco, experiência e uma nova visão sobre o que significa ser artista.   Terá sido esse o momento decisivo que sentes ter moldado a artista que és hoje? Sem dúvida. A June Anderson e a Eleonora Pacetti continuam a ser pilares fundamentais no meu percurso. Transformaram completamente a minha perceção do que é cantar… não apenas a nível técnico, mas também musical e humano. Transmitiram-me uma ideia de responsabilidade absoluta: cada nota tem um significado, cada palavra deve existir com intenção. Ensinaram-me a não olhar para o percurso dos outros, mas a procurar ser melhor do que fui ontem. E, talvez o mais importante, ajudaram-me a compreender que a técnica não é um fim,  é apenas o meio que permite libertar a expressão artística. Quando percebi isso, tudo mudou. Cantar deixou de ser apenas execução e passou a ser verdade.   O que te inspira, hoje, quando sobes ao palco? Inspira-me profundamente a partilha. Trabalhar com diferentes maestros, encenadores e colegas permite-me redescobrir constantemente o repertório. A mesma obra nunca é igual… transforma-se com cada encontro. Mas aquilo que verdadeiramente me move é a possibilidade de tocar alguém. Saber que, através da minha voz, posso despertar emoções, memórias ou reflexões em quem está a ouvir… isso dá sentido a tudo. Se conseguir que alguém saia diferente do que entrou, então o meu dia está ganho.   A relação com o público, a música em si, a procura por algo mais interior… o que te move? Move-me essa entrega total. Quando subo ao palco, sinto-me completamente exposta,  vulnerável, verdadeira. Dou tudo o que tenho, sem filtros. Há algo de profundamente humano nesse gesto de partilha. Vivemos tempos tão acelerados, tão cheios de ruído… e poder oferecer um momento de emoção genuína, de conexão, de introspeção… isso é, para mim, uma dádiva. E ao mesmo tempo, é algo que me transforma também.   Este concerto tem uma carga emocional e espiritual muito própria. O que mais te toca neste programa? O que mais me toca é a forma como este programa nos convida a olhar para a finitude com uma luz diferente. É um tema que me é difícil, profundamente pessoal. Já perdi pessoas que amo e cuja ausência permanece. E, no entanto, as Quatro Últimas Canções de Strauss oferecem-nos uma visão quase reconciliada com o fim. Não como ruptura, mas como transfiguração. Há nelas uma serenidade luminosa, uma aceitação que não é resignação, mas entendimento. Como se a morte fosse apenas uma passagem para um estado de paz absoluta, onde tudo se dissolve na natureza, na memória, no eterno. É impossível não me deixar tocar por isso.  E, aproveito para dizer que, dedico estes concertos à minha bisavó: o amor da minha vida.   Mahler e Strauss, cada um à sua maneira, falam de finitude, transcendência, despedida… Como é que vives essa intensidade enquanto intérprete? Eu não consigo, nem quero, distanciar-me emocionalmente. Para mim, cantar é mergulhar. Se a música pede lágrimas, então eu choro. Somos humanos, e é dessa humanidade que nasce a verdade da interpretação. Claro que é um desafio enorme, porque estas obras mexem profundamente connosco. Mas acredito que é precisamente aí que acontece o crescimento artístico e pessoal. E é também aí que nasce a verdadeira conexão com o público.   A Sinfonia n.º 4 é uma obra muito especial, sobretudo no último andamento, onde a tua voz surge quase como uma revelação. Como abordas essa inocência, essa visão quase infantil do paraíso? O último andamento da Quarta de Mahler é de uma beleza enorme. Não é um paraíso grandioso ou distante… é um paraíso visto pelos olhos de uma criança. Simples, puro, quase ingénuo. Procuro abordar essa música com uma leveza muito consciente, despida de artifícios. Como se a voz fosse apenas um veículo para essa visão inocente do mundo onde não há medo, onde tudo é harmonia, onde a felicidade reside nas coisas mais simples. Mas há também uma subtileza muito profunda: por detrás dessa inocência, existe uma espécie de saudade. Como se esse paraíso fosse, ao mesmo tempo, um lugar ideal e uma memória distante daquilo que perdemos ao crescer.   Mahler trabalhou mais de dez anos nesta melodia. Sentes essa busca pela perfeição quando a interpretas? Sinto muito essa busca! Quase como se cada frase carregasse camadas de tempo, de memória, de transformação. É como se Mahler condensasse, naquele andamento, uma visão muito íntima da existência. Há uma sensação de síntese de algo que foi depurado ao longo de anos até atingir uma forma de simplicidade essencial. E essa simplicidade é, paradoxalmente, o mais difícil de alcançar.   E tecnicamente, qual o aspecto mais desafiante? No Mahler, o maior desafio está na articulação do texto em passagens rápidas, sem comprometer o legato… manter a fluidez musical enquanto se preserva a clareza da palavra. Nas Quatro Últimas Canções, o desafio é outro: as frases longuíssimas, que exigem um controlo absoluto do apoio e do suporte. É uma escrita que pede continuidade, suspensão… como se o tempo se dilatasse. E, claro, a carga emocional de cada nota, que nunca pode ser desligada da técnica.   As Quatro Últimas Canções são, para muitos, um testamento musical. O que sentes quando as cantas? Sinto, acima de tudo, uma enorme responsabilidade. É uma obra de uma profundidade impressionante… emocional, harmónica, espiritual. Há nelas uma sensação de despedida, mas sem desespero. É como um último olhar sobre o mundo, cheio de beleza, de gratidão e de aceitação. Cantar estas canções é entrar num espaço quase sagrado. Sou profundamente grata por poder interpretá-las e é, sem dúvida, um marco na minha carreira.   Há ali uma despedida, mas também uma serenidade luminosa. Como encontras o equilíbrio entre emoção e contenção? Procuro sempre aproximar-me da intenção de Strauss. Estudei muito a sua vida, o seu pensamento, a sua forma de sentir. Mais do que interpretar, tento tornar-me um veículo dessa voz. E isso exige um equilíbrio delicado… sentir profundamente, mas nunca perder a linha, nunca cair no excesso. A emoção está lá, mas é contida, filtrada por uma espécie de sabedoria tranquila.   E já agora, tens uma favorita dentro do ciclo? É muito difícil escolher, mas sinto-me especialmente próxima de September e Beim Schlafengehen. September tem uma melancolia suave, quase outonal… fala do fim com uma delicadeza que me comove muito.  Já Beim Schlafengehen tem algo de transcendental: aquela elevação final, quase como um desprendimento do corpo… é um momento de pura libertação.   A Páscoa tem um simbolismo muito próprio. O que representa para ti cantar nesta quadra? Cantar nesta quadra tem um significado muito especial para mim. A Páscoa fala-nos de renovação, de transformação, de passagem, da escuridão para a luz. E sinto que este programa dialoga profundamente com esse simbolismo. Há uma ideia de fim, mas também de recomeço. De aceitação, mas também de esperança. Para mim, é um momento de introspeção,  quase um convite a parar, a ouvir, a sentir. E poder viver isso através da música é algo profundamente significativo.   Há algo que gostasses que o público soubesse antes de ouvir estas obras? Talvez apenas isto: que se permitam sentir, sem reservas. Não é necessário compreender tudo racionalmente. Esta música fala diretamente à emoção, ao inconsciente. Cada pessoa vai encontrar nela algo diferente: e isso é o mais bonito.   E existe algum repertório que ainda não interpretaste e que continua na tua lista de sonhos? Este ano estou a concretizar muitos dos meus sonhos: as Quatro Últimas Canções, o Requiem de Verdi, a Amelia de Un ballo in maschera… são estes os próximos desafios!  Sinto-me profundamente grata.  E agradeço-vos do fundo do meu coração por estar aqui a partilhar um dos meus sonhos convosco! Não poderia ser mais especial!  Talvez, no futuro, gostasse de explorar a Tosca, mas tudo a seu tempo. Este é, sem dúvida, um ano muito especial para mim.   É a tua estreia com a Orquestra do Algarve. O que esperas desta colaboração? Apesar de ser a minha estreia, já conheço muitos músicos da Orquestra do Algarve, e isso deixa-me ainda mais feliz. Sei que vamos viver momentos muito especiais! São músicos de enorme qualidade, mas também pessoas extraordinárias. Há algo que valorizo muito, que é o que acontece para além do palco: o convívio, a partilha, as conversas depois dos concertos. É aí que muitas vezes nascem ideias, cumplicidades e até novas formas de olhar para a música. Tenho a certeza de que será uma experiência muito rica nesse sentido. Espero, sinceramente, que seja a primeira de muitas colaborações. É uma orquestra que admiro há muito tempo.   E com o maestro Pablo Urbina — o que esperas encontrar na forma como trabalham juntos este repertório tão sensível? Ainda não tive a oportunidade de trabalhar pessoalmente com o maestro Pablo Urbina, mas tenho as melhores referências! Tanto a nível musical como humano. Estou muito entusiasmada com esta colaboração, porque acredito muito neste espaço de partilha entre cantor e maestro. Gosto de construir em conjunto, de experimentar, de questionar, de procurar caminhos diferentes dentro da mesma obra. Tenho a sensação de que será um encontro muito especial e um momento importante no meu percurso.   O que gostarias que o público levasse consigo depois de ouvir este concerto? Gostava muito que levassem paz interior. Vivemos num mundo com tanta pressão, tanto ruído, tanta inquietação… e a música tem esse poder raro de nos recentrar, de nos fazer parar e respirar. Se alguém sair deste concerto mais tranquilo, mais ligado a si próprio, então tudo terá valido a pena.   Para além da tua carreira como intérprete, tens uma ligação muito forte ao ensino. O que te motiva a dedicar tanto do teu tempo à formação de jovens cantores? Motiva-me, acima de tudo, aquilo que vejo neles. Vejo talento, vejo vontade, mas também vejo muita incerteza. Existe uma lacuna muito grande entre o fim dos estudos e a entrada no mercado de trabalho. Não necessariamente por falta de oportunidades, mas pela enorme quantidade de talento que existe em Portugal. E sinto que os anos de formação, por si só, muitas vezes não são suficientes para sustentar os sonhos que estes jovens têm. A minha experiência com a June Anderson foi determinante: não foi apenas uma formação técnica, foi uma mudança de mentalidade, de exigência, de visão. E é isso que tento transmitir, não só através do meu trabalho direto com os alunos, mas também criando pontes com profissionais da área: diretores, agentes, encenadores, coaches.   O teu projeto OperaTools tem sido muito falado pela forma inovadora como aborda a técnica e a prática vocal. Como nasceu esta ideia e que necessidade sentiste que era importante responder? A OperaTools nasceu precisamente dessa necessidade: colmatar a distância entre a formação académica e a realidade profissional. Lá fora existem estruturas muito claras: academias, young artist programs, que ajudam os jovens cantores a fazer essa transição. Em Portugal, essa estrutura praticamente não existe. A OperaTools funciona, de certa forma, como esse espaço intermédio: oferece masterclasses com profissionais relevantes, cria oportunidades de palco, proporciona gravações, produção de óperas e recitais. É um projeto pensado para dar ferramentas reais e visibilidade.   O ensino do canto está a mudar rapidamente. Como é que o OperaTools se posiciona neste novo contexto? Posiciona-se muito inspirado naquilo que vi e vivi fora de Portugal, especialmente durante a minha experiência em Roma. Acredito que é fundamental abrir horizontes e criar redes… tornar mais acessível o contacto com o meio profissional, facilitar o encontro entre talento e oportunidade. Tive muita sorte no meu percurso, mas custa-me ver tantos jovens extremamente talentosos a desistirem ou a colocarem os seus sonhos em segundo plano por falta de oportunidades ou orientação. A OperaTools nasce também desse desejo de mudar esse cenário… de criar um caminho mais possível.   Houve algum episódio que te tenha marcado particularmente neste projeto? Há muitos momentos marcantes, mas talvez o mais emocionante tenha sido perceber que, muitas vezes, os outros acreditaram mais no projeto do que eu própria. Começou de forma muito simples, quase instintiva… ajudando uma pessoa, depois outra… e hoje são mais de 40 alunos, muitos deles já com um nível profissional muito elevado. Recentemente, recebemos um apoio significativo para os próximos quatro anos, que nos permitirá desenvolver produções de ópera e expandir o projeto. E ainda nem assimilei completamente… continuo a sentir a OperaTools como algo muito próximo, familiar. Mas esse reconhecimento, esse voto de confiança, foi profundamente marcante.   De que forma ensinar influencia a tua forma de cantar? Ensinar obriga-me a um estado constante de reflexão e estudo. Aprendo imenso com os meus alunos, com as suas dificuldades, as suas descobertas, as suas perguntas. Partilhar sensações… isso faz-me crescer enquanto cantora.   E como é que a tua experiência de palco fortalece a tua pedagogia? De forma muito direta. Quanto mais experiência tenho em palco, mais ferramentas tenho para transmitir. Não apenas a nível técnico, mas também a nível emocional, psicológico, artístico. Para mim, estas duas dimensões, cantar e ensinar, estão profundamente ligadas. Alimentam-se mutuamente. E sinto que só sou verdadeiramente feliz conseguindo viver ambas.   Obras com esta profundidade exigem muito mais do que domínio técnico. Como te preparas psicologicamente? Preciso de silêncio antes de um concerto. De estar comigo.  De criar um espaço interior onde me posso desligar do exterior e conectar verdadeiramente com aquilo que vou fazer. Gosto de me aproximar do compositor, de sentir que estou a dar voz a algo que foi pensado, sentido e construído com tanta dedicação. É uma responsabilidade enorme. E, por isso, preciso desse momento de recolhimento, quase como um mergulho consciente num universo emocional muito intenso.   Antes de terminar: se tivesses de resumir o teu amor pelo canto e por este repertório — de forma a convencer alguma, rara, alma mais céptica, a vir assistir a este concerto inesquecível — o que dirias?   O canto, para mim, não é apenas som ou técnica… é uma forma de dizer aquilo que não cabe nas palavras. É onde colocamos as nossas fragilidades, as nossas memórias, os nossos medos e também a nossa esperança. E este repertório, em particular, leva-nos exatamente a esse lugar: um espaço onde somos obrigados a parar, a ouvir e, talvez, a sentir de forma mais honesta. Se alguém vier a este concerto com cepticismo, não precisa de compreender nada… só precisa de estar disponível. Porque a música de Mahler e Strauss tem essa capacidade rara: entra devagar, quase em silêncio, e quando damos por nós, já nos transformou. No fundo, não se trata de gostar ou não gostar. Trata-se de permitir-se sentir. E isso, hoje em dia, já é quase um ato revolucionário.   Obrigado, Rafaela, e votos de excelentes concertos!!     Saiba mais sobre os concertos aqui.
Rafaela Albuquerque no Concerto de Páscoa da Orquestra do Algarve
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